Super Cidades Vs Unificação Global: irá algum substituir as Nações Estado?


Super Cidade: uma extensa área metropolitana composta, pelo menos, de 8 milhões de pessoas; e, sujeita a um crescimento populacional e urbanístico rápido.

A priori, parece ser um conceito bastante interessante, mas na verdade, este vela uma série de problemas sociais e económicos; que a longo prazo, se poderão revelar catastróficos.

À primeira vista, o que significa a formação dessas super cidades? Significa o êxodo em massa das regiões do interior para as grandes cidades e arredores. Então, o que sugere isto? Isto sugere o empobrecimento das regiões do interior de cada país (o que se poderá traduzir num decréscimo, e finalmente na extinção, da produção agrícola).
Mas analisemos este assunto em maior profundidade...

O primeiro impacto causados pelas migrações em massa (para a megapolis) é caótica: geralmente estas cidades não estão preparadas para receber tais quantidades de pessoas, o que resultaria numa “urbanização” ilícita (ex: as favelas na área metropolitana de São Paulo; e as barracas na área metropolitana de Lisboa nos anos 80), causando, deste modo, uma poluição ambiental (devido ao pobre, senão à ausência, de um sistema de esgotos); numa elevada taxa de desemprego (uma vez que talvez não houvesse emprego disponível para todos) o que, por si só, levaria a um baixo desenvolvimento humano, que por sua vez resultaria numa elevada taxa de crimes cometidos.

(Favela de São Paulo)

Se pensarmos neste assunto sob o ponto de vista administrativo mais caos poderia advir daí; pois imagina que a maioria da população esteja empregada (num cenário perfeito); tendo, assim, condições de vida favoráveis: se todos possuirem carros e, maioria conduzir para o trabalho (devido à falta de um plano eficaz de transportes públicos) a super cidade sofrerá sucessivos congestionamentos de trânsito; poluição do ar; terá que investir fortemente na manutenção dos ultra-usados pavimentos; evitar a formação de buracos e outros estragos nos asfaltos.
As super cidades podem contribuir para a diminuição da esperança de vida.


(Barraca de Lisboa nos anos 80)

Agora pensem comigo...mesmo que um génio invente uma maneira de altrapassar estes graves problemas e organizar a super cidade de modo a que os impactos ambientais e de saúde comum nos sejam favoráveis, a todos (o que iria proporcionar à megapolis um enorme poder económico e político); há nações que nunca conseguirão formar super cidades (ex: Portugal, Israel, Bélgica, Luxemburgo, Holanda etc) por isso, qual seria a sua posição no novo contexto político?
Para além disso: será que as presentes alianças (UE, Liga Árabe, Cooperação Económica da Ásia-Pacífico, União Africana etc) acabariam, para que novas alianças (baseadas nas super cidades) pudessem emergir?

Há, ainda, o perigo destas poderosas megapolis poderem, a longo prazo, querer substituir as nações-estado (devido à sua autonomia organizacional), o que poderia levar a um novo ciclo de guerras civis.
Contudo a unificação global (apesar da sua importância para o desenvolvimento) jamais poderá substituir as nações estados por causa de um crucial factor: identidade cultural.

A cultura de qualquer nação, e as suas tradições, fazem parte da identidade de um povo. Digamos que são o que o mantém unido para lutar pelo bem comum nacional e os seus interesses.

As cidades pequenas são mais simples de organizar (a todos os níveis), são ambientalmente mais saudáveis e geram indivíduos mais sãos.
As super cidades promovem o afastamento, a falta do sentido de comunidade, solidão, depressão, suicídio.
A unificação global deveria fomentar o intercâmbio cultural (o que instiga entendimento, respeito mútuo e tolerância) e não a aculturação.
As nações-estado são mais que a fortidão monetária e a força política; elas são a terra, o povo, a sua história, identidade, valores e sentido de pertença.


Para uma leitura mais ampla, sobre este assunto, visita o blog do LS (Inglês): Aqui

Comentários

  1. Te dou toda razão. Por isso saí de uma cidade de 15.0000.0000 pra uma de 80.000.

    Só não entendi o que vc diz sobre o estado. Pra mim qto menor o estado melhor. e isso eu acabei achando depois de mais de 30 anos lutando por um estado forte e capaz de proteger os cidadãos.

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  2. Oi Bea :D!

    "Te dou toda razão. Por isso saí de uma cidade de 15.0000.0000 pra uma de 80.000."

    Sim, sei que és originalmente de Sampas, não é?

    "Só não entendi o que vc diz sobre o estado. Pra mim qto menor o estado melhor. e isso eu acabei achando depois de mais de 30 anos lutando por um estado forte e capaz de proteger os cidadãos."

    Quando me referi a estado, referia-me ao Governo de qualquer nação. As super cidades, ao tornarem-se tão poderosas poderão (no futuro) querer substituir as nações (imagina o Brazil, como nação, a deixar de existir para passarem a existir várias super cidades politicamente e economicamente poderosas) e re-desenhar o cenário político mundial - estabelecendo novas alianças económico-politicas.
    Só que eu defendo que este pressuposto parte do princípio de que o mundo sofrerá uma aculturação geral; coisa que considero ser impossível, uma vez que temos (e devemos continuar a ter) a nossa identidade cultural, as nossas tradições, os nossos valores (inerentes a cada nação).

    Acho que tu te referes a estado-regional, será isso? Esse também acho que deva permanecer pequeno para poder administrar melhor a sua região e defender os direitos dos seus cidadãos (contribuindo assim para um país mais forte).

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  3. Max

    Interessante o assunto, principalmente pensando sobre o Brasil, um país muito grande com muita diversidade cultural, muito regionalismo e onde ocorre grande centralização de poder, serviços e conhecimento na região centro-sul.
    Devido a isso ocorre muita migração apesar desta ser influenciada pelas mais variadas épocas e circunstancias diversas, Por exemplo hoje a região sul não recebe tanto imigrante interno e sim, pessoas do Sul estão indo para outros lugares, mais sem dúvida Rio e São Paulo são as cidades que mais recebem pessoas de todas as áreas do país.
    Isso gera muitos problemas como você mesma disse, violencia, condições de vida subumanas, crime organizado.
    As favelas se organizam próximos aos grandes centros porque lá as pessoas podem ter mais acesso a trabalho, por exemplo é o "cara" da favela que vai ser porteiro no condomínio de luxo, é a mulher da favela que vai ser a empregada doméstica e assim vai...

    "a super cidade sofrerá sucessivos congestionamentos de trânsito; poluição do ar;"

    O que já ocorre fortemente, mesmo sem as condições ideais que você citou.
    Se entendi direito o conceito das super cidades que falou, acho que geraria uma maior desigualdade, se as cidades se separassem e fossem independentes, teria lugares no Brasil que eles não conseguiriam sobreviver sozinhos, faltaria produtos agrícolas, como seria esse poder descentralizado? cada cidade teria seu próprio governo como um país?

    "As cidades pequenas são mais simples de organizar (a todos os níveis), são ambientalmente mais saudáveis e geram indivíduos mais sãos."

    concordo plenamente! viver numa cidade pequena é tudo de bom, viver na cidade do Rio de Janeiro hoje e ter uma boa qualidade de vida na minha opinião é impossível, já viver numa cidade próxima já é bem melhor, porque quando precisar de algo, você pode ir ao centro e voltar correndo, LOL.

    Max, Em Portugal tem favela? como são os bairros dos mais pobres por aí?


    Beijinhos amiga, gostei muito do texto.

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  4. Nao sai mesmo a eblobe de pessoas duplica a cada dia com a natalidade...isso é fato.....

    bjaoo

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  5. Dri :D!

    "Devido a isso ocorre muita migração apesar desta ser influenciada pelas mais variadas épocas e circunstancias diversas, Por exemplo hoje a região sul não recebe tanto imigrante interno e sim, pessoas do Sul estão indo para outros lugares, mais sem dúvida Rio e São Paulo são as cidades que mais recebem pessoas de todas as áreas do país."

    Pois, o que dizes aqui vai de encontro com um artigo que li recentemente: que as pessoas, aí, estão a virar-se mais para o Rio e São Paulo (criando alguns problemas sociais e económicos).

    "As favelas se organizam próximos aos grandes centros porque lá as pessoas podem ter mais acesso a trabalho, por exemplo é o "cara" da favela que vai ser porteiro no condomínio de luxo, é a mulher da favela que vai ser a empregada doméstica e assim vai..."

    Tou a perceber...

    "Se entendi direito o conceito das super cidades que falou, acho que geraria uma maior desigualdade, se as cidades se separassem e fossem independentes, teria lugares no Brasil que eles não conseguiriam sobreviver sozinhos, faltaria produtos agrícolas, como seria esse poder descentralizado? cada cidade teria seu próprio governo como um país?"

    É isso aí! Percebeste bem (e o mesmo aconteceria noutros países do mundo). Sim, cada cidade teria o seu próprio governo...imagina uma coisa dessas. Imagina como ficariam as outras cidades mais pequenas! E agora magnifica isso para um cenário mundial...

    "concordo plenamente! viver numa cidade pequena é tudo de bom, viver na cidade do Rio de Janeiro hoje e ter uma boa qualidade de vida na minha opinião é impossível, já viver numa cidade próxima já é bem melhor, porque quando precisar de algo, você pode ir ao centro e voltar correndo, LOL."

    LOL compreendo. E é muito mais relaxante, não?

    "Max, Em Portugal tem favela? como são os bairros dos mais pobres por aí?"

    Não, Portugal não tem favelas; mas houve um período (até aos anos 80) em que haviam barracas, e bairros de barracas; mas depois (nos anos 90) desapareceram porque o Governo construiu casas e colocou as pessoas lá (a troco de uma renda baixa).
    Os bairros pobres aqui são compostos por prédios (essencialmente; porque tens alguns - como o Bairro Cova da Moura na Amadora - que são compostos por casinhas pequenas, com ruas extremamente estreitas) e alguns são perigosos, outros nem tanto. O problema é que os moradores desses bairros acham, que por serem pobres que não têm de manter os seus bairros limpos...esse é que é o problema.

    "Beijinhos amiga, gostei muito do texto."

    Ainda bem, querida :D! E obrigada pelo teu super comentário: amei!!

    Beijinhos

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  6. Oi Philip :D!

    Natalidade não é problema (Portugal, neste momento agradeceria que as taxas de natalidade aumentassem), o problema é a falta de organização!!

    Obrigada pelo teu comentário, querida :D!

    Beijão

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  7. Max, oi, olá, tudo bem aí? Como sempre os teus textos ricos em reflexões e provocações. Confesso que as grandes cidades me deixa um pouco neurótica, embora viva numa quase "megalópolis" lá no Brasil, quiçás a maior do Nordeste brasileiro, e tem tudo de bom e ruim das grandes cidades e estou pensando seriamente em mudar, não para o sudeste (Sao Paulo e Rio, sao grandes demais p mim), mas para mais interior do Brasil. Algumas pessoas estão fazendo este percurso contrário como eu. O Nordeste tem sido a escolha de muito "capital intelectual" e "profissional", devido à qualidade de vida em algumas cidades de lá.
    Mas depois de ter chegado de Cabo Verde (fiquei na ilha de Sao Vicente), tudo agora é o caos para mim. Quero viver lá, quero voltar para lá!!!

    Beijinhos, Max, boa semana.

    P.S.
    Te convido para vir aqui ó: http://palimpnoia.blogspot.com/
    a idéia do pessoal é interagir, dialogar, criar um espaço de debate, comunicação e reflexão. Tem um texto meu no Palimp e ia sentir-me honrada com a sua presença lá também.
    ;)

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  8. Oi Max
    Sim, Rio e São Paulo recebem mais migrantes de todos os estados do Brasil, mas ocorrem casos específicos de migração por exemplo do Sul para o Nordeste e centro-Oeste Que são fazendeiros em busca de melhores terras devido ao esgotamento dos solos.
    Está ocorrendo também uma migração da classe média, das grandes cidades para as cidades menores.
    Mas sem dúvidas os problemas de cidades grandes como Rio e São Paulo também são devidos a esses grandes movimentos populacionais.

    beijos

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