A insustentável leveza da Gargalhada



Adoro rir. Rir é bom: a pele gosta, o cabelo luz e o espírito agradece.
Contudo há momentos próprios para chicotear o ar com uma boa gargalhada (não te preocupes, isto não é uma aula de etiqueta do riso).

Há situações das quais as pessoas se riem que simplesmente me deixam estupefacta...

Situação A: uma pessoa caminha na rua quando de repente escorrega em cócó de cão, ou então, num chão molhado e, bate com o traseiro no chão. Toda a gente se começa a rir sem sequer pensar nas possíveis consequências: partir o cóccis, a perna ou até a espinha etc).

Situação B: uma senhora comete um acto ilícito no escritório e, às pressas, abandona um certo gabinete para voltar à sua secretária. Um colega repara que ela está toda desfraldada e que a saia está aberta, mas em vez de discretamente a aconselhar a compôr-se, o que é que ele faz? Conta a toda gente sobre o sucedido, fazendo com que todos os colegas se riam dela (logo, humilhando-a).

Situação C: alguém sai com um grupo de amigos para comer pizza. Durante a degustação deste delicioso prato Italiano, os seus intestinos começam a dançar Hip-Hop fazendo com que o indivíduo solte gazes (um daqueles bem sonoros, geralmente sem odor – graças a Deus, tendo em conta a situação). Toda a gente se começa a rir e, fazem chacota de algo que facilmente lhes poderia acontecer também. Será que param para pensar na humilhação à qual sujeitam o amigo?
Mas também, não vejo qual é a piada da flatulência. Não é nada mais que uma reacção biológica natural.

Situação D: um miúdo, na escola, está tão nervoso que faz chichi pelas pernas abaixo. Toda a gente se começa a rir dele, e a professora nada faz. Claramente esta mestre académica sofre de problemas psicológicos severos, e os miúdos foram paridos e, criados, por pais que ignoram o significado de boas maneiras, compaixão e respeito.

Situação E: ocorre um funeral. As pessoas reúnem-se para dizer adeus ao ente amado (ou amigo), quando de repente alguém decide rir-se às gargalhadas. Por mais que se queira entender esta estranha reacção; não se pode evitar ficar chocado com a aparente falta de respeito para com as pessoas que estão de luto. Porquê rir, porquê nessa hora?

Alguns seres humanos tendem a rir da miséria, da humilhação pública, dôr, embaraço etc alheios.
Contudo dever-se-ia analisar o que está por detrás da necessidade de rir deste tipo de situações...será por nervosismo, imaturidade; será por pura maldade, desrespeito, falta de boa educação ou, será porque se tratam se sub-humanos?
Eu realmente gostaria de poder compreender...


Imagem: O Sagrado e o Profano de Caravaggio

Comentários

  1. Max, eu entendo essa situação E, porque uma pessoa que passou por isso me explicou. É algo incontrolável, como um histerismo, um excesso de stress, tensão pela perda e a pessoa de tanta tristeza vai para o outro extremo.
    De resto acho que tenho o humor tão refinado quando o seu, porque nao acho graça em muita baboseira, mas rolo de rir com os desenhos animados do pica-pau, vai saber!!
    Bom fim de semana! Beijus

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  2. Mas bah, guria.
    Costumo dizer, e acredito, que o ser humano está sempre, mais disposto a dizer coitado(a) do que Parabéns! É da nossa natureza...Vai entender...Imaturidade é rir quando outros passam pelo ridículo, já rir do próprio ridículo é maturidade. Importante é jamais deixar de rir; como diz um ditado bem brasileiro, "perco o amigo mas não perco a piada".

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  3. Oi Luma :D,

    Então deve ser isso mesmo (para algumas pessoas): nervosismo que leva ao histerismo.
    Já me ajudaste a compreender parte da questão :D!

    LOL também há desenhos animados que me fazem rolar a rir lol! Mas realmente,já me encontrei em situações em que sou a única na sala que não se está a rir (quando são ditas/feitas parvoíces)...não há nada a fazer, está fora do meu controle.

    Luma, obrigada por me teres esclarecido e pelo teu comentário :D!

    Beijos

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  4. Oi Diler,

    Não sou a favor da comiseração, mas também não acho que se deva ridicularizar os outros.

    "á rir do próprio ridículo é maturidade" - é verdade.

    "Importante é jamais deixar de rir" - concordo...mas com peso e medida.

    Diler, obrigada pelo teu super comentário: adorei :D!

    Um abraço

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  5. Eu penso que em algumas situações, seja o nervosismo mesmo, noutras, talvez a inconseqüência, quem sabe?
    Eu confesso que qdo estou nervosa, desato a rir.

    Mas agora falando da sua visita, fiquei muito lisonjeada com as suas palavras, pq senti que não são apenas da "Boca pra fora" (das pontas dos dedos nos teclados, rs), mas genuínas e essas palavras causam-me os melhores sentimentos, quando brotam do coração.
    Já estás entre os meus Outros Cantos, porque vale a pena ouvir-te cantar.

    Aqui tá tudo dret e bo?
    Um beijo grande.
    ;)

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  6. Olá Canto da Boca :D!

    Bem-vinda ao Etnias!!

    "Eu penso que em algumas situações, seja o nervosismo mesmo, noutras, talvez a inconseqüência, quem sabe?
    Eu confesso que qdo estou nervosa, desato a rir."

    Compreendo e, estou a tomar notas.

    "Mas agora falando da sua visita, fiquei muito lisonjeada com as suas palavras, pq senti que não são apenas da "Boca pra fora" (das pontas dos dedos nos teclados, rs), mas genuínas e essas palavras causam-me os melhores sentimentos, quando brotam do coração."

    Ó querida, foram palavras sinceras foi só isso :D!

    "Já estás entre os meus Outros Cantos, porque vale a pena ouvir-te cantar."

    Muito obrigada, minha linda; também já estás entre os Super Blogs!

    "Aqui tá tudo dret e bo?"

    Tudo dretu comigo também!

    CB (posso chamar-te assim?), muito obrigada por esta visita 100%...e desejo-nos uma longa relação bloguista :D!

    Beijos e bom fim-de-semana

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  7. Adorei,

    O teu blog, ótimos textos, você tem agora um leitor assíduo.

    Um abração,
    Ricardo Sérgio

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  8. Vim te conhecer por indicação da amiga do Canto da Boca.
    Um tema interessante o do riso. Tens razão em dizer que devemos usar de mais cortesia com as situações. Falta-nos, às vezes, a necessa´ria empatia, para não rirmos em situações desagradáveis do outro.

    Abraço fraterno.
    Voltarei.

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  9. Oi Ricardo Sérgio :D!

    Bem-vindo ao Etnias!!

    "Adorei, O teu blog, ótimos textos, você tem agora um leitor assíduo."

    Que bom, fico feliz por teres adorado :D! Que maravilha!! Será um prazer interagir contigo :D!

    Um abração e até breve

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  10. Olá Eurico :D!

    Bem-vindo ao Etnias!!

    "Vim te conhecer por indicação da amiga do Canto da Boca."

    Ó...ela é uma óptima amiga mesmo :D! Fico feliz por te conhecer!

    "Um tema interessante o do riso. Tens razão em dizer que devemos usar de mais cortesia com as situações. Falta-nos, às vezes, a necessa´ria empatia, para não rirmos em situações desagradáveis do outro."

    É verdade...mas já me explicaram que às vezes os nervos toldam a razão...

    "Voltarei."

    Volta sempre!

    Um abraço forte

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  11. Oi amiga
    Estava com muitas saudades, mas estou aqui de novo.
    é mesmo cada situação para se rir! já fiquei sabendo de uma pessoa que estava diante uma situação muito difícil, morte de outra pessoa, e ela começou a rir, mas ela estava fora de si, e em seguida começou a chorar desesperadamente, é muito triste!

    agora fazer chacota dos outros, aí tem um lado meio mal nesta história.

    também gosto muito de rir, mas por exemplo não são todos os filmes que me fazem rir, aqueles muito bobos não acho a menor graça.

    beijos

    ResponderEliminar
  12. Dri!!! :D

    Que saudade!

    "Estava com muitas saudades, mas estou aqui de novo."

    Ainda bem: bem-vinda de volta :D!

    "é mesmo cada situação para se rir! já fiquei sabendo de uma pessoa que estava diante uma situação muito difícil, morte de outra pessoa, e ela começou a rir, mas ela estava fora de si, e em seguida começou a chorar desesperadamente, é muito triste!"

    É, os nervos, a tristeza, o desespero fazem-nos ter reacções bem estranhas mesmo. Coitada dessa pessoa...

    "agora fazer chacota dos outros, aí tem um lado meio mal nesta história."

    É muita insegurança, complexo de inferioridade, ou então...pura maldade mesmo.

    "também gosto muito de rir, mas por exemplo não são todos os filmes que me fazem rir, aqueles muito bobos não acho a menor graça."

    Nem eu...Às vezes até rio de filmes dramáticos, porque o drama é interessantíssimo e tem o seu quê de piada. Não sei, deve ser porque acho piada à vida em geral, mas não à humilhação, à chacota..olha, ao desrespeito pelo próximo.

    Ah, que bom ter-te de volta, querida :D!

    Beijos

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