A Escritura da Alma


O Mel, há quinze dias atrás, ofereceu-me uma ideia para um artigo – pela qual estou extremamente grata. Ele sugeriu que eu tentasse responder à seguinte pergunta “Será que a nossa alma está em nossa posse?” Como já referi antes, não possuímos nada, uma vez que, não controlamos o quer que seja.
Contudo, vou tratar a “Possessão” segundo o ponto de vista da Alexys e da Leo (affecto e ligação respectivamente).

Antes de encarnarmos, o nosso espírito é chamado para ser informado acerca da sua missão e o que se espera dele enquanto na terra. Após este processo torna-se uma alma (i.e. Alma = espírito + missão).

Quem possui o espírito (exercendo, assim, absoluto control sobre ele)? O Criador.
Quem desenha a missão transmitida ao espírito? Deus e o Seu concelho; apesar de aparentemente Eles concederem um Licença Limitada às almas para que elas possam gerir a maneira como desejam cumprir o Propósito Divino (alguns de vós chamar-lhe-ão livre arbítrio).

Agora somos almas e encarnamos. Cada um de nós tem o seu próprio propósito para estar aqui (ainda que o nosso propósito individual sirva um propósito comum); significando isto que temos a nossa própria alma...mas será que a possuímos?
Se trabalharmos sob a teoria de que “possessão = afecto + ligação” poderemos dizer que, de facto, possuímos a nossa alma. Mas permite-me expôr melhor o caso:

Possessão como afecto: como espíritos podemos tornarmo-nos demasiado ligados à nossa missão, e aos seus componentes (amantes, amigos, cônjuges, família etc), de tal modo que muitas vezes (após a morte) se torna muito difícil desligarmo-nos. O nível de afecto é sobremodo alto, o que levará o sentimento a permanecar para sempre na nossa memória...repito: memória. Por isso, sob a teoria do afecto, possuimos a nossa alma.

Possessão como ligação: como espíritos absorvemos, através da alma, conhecimento, experiências, sentimentos, energias que irão contribuir para o nosso processo evolutivo. Estes instrumentos não desaparecem assim mesmo aquando do nosso falecimento, uma vez que já se viu que a memória destes estão ligados à alma, alma esta que; após o julgamento e prestação de contas; regressa ao seu estado de espírito mantendo, assim, a sua memória, que somente a si pertence. Logo, segundo a teoria da ligação, também possuimos a nossa alma.

Mas recordem-se de que estamos a partir do princípio que Possessão = afecto + ligação. Mas qual será a resposta à pergunta do Mel se presumirmos que possessão iguale a posse + absoluto controle?
De facto, a memória é nossa; mas não exercemos, de modo algum, um absoluto controle sobre ela, uma vez que ao regressar à terra ela é obliterada pelo Concelho Divino (excepto em alguns raros casos): não só não nos lembramos das vidas passadas como também estamos mais que dispostos a rejeitar todo o processo da reencarnação (ainda que não consigamos explicar o porquê da ocorrência das ditas coincidências; o porquê da existência do dejá vu; o porquê que algumas pessoas são detestadas por nós e amados por outros [e vice-versa], o porquê da existência de almas gémeas e o seu vero significado etc, etc).

Será que a nossa alma está em nossa posse? Num sentido absoluto; não, não está.


Imagem: St. Matthew and the Angel de Caravaggio

Comentários

  1. Max,

    Texto interessante, mas eu não acredito em reencarnação.

    BEijos

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  2. Li algo semelhante, acerca de quem realmente possui a nossa alma e a arte de enganar o Diabo. Era algo sobre o facto de que podes enganar o Diabo, vendendo a tua alma que sairás ileso(a) porque não poderás vender algo que não possuis.

    Não me lembro bem dos pormenores - li o texto há algum tempo - mas achei curioso. E é curioso a noção de que nós apenas temos, na prática, uma licença de uso temporário da nossa alma.

    Mais uma vez - apesar de raramente comentar - foi um prazer enorme ler-te. Gosto de textos que me fazem pensar...

    Parabéns.

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  3. Oi Max
    Também acredito que algumas coisas que acontencem na nossa vida não são por acaso, apesar de não acreditar em reencarnação, acretido que não viemos aqui a toa, temos algo a fazer, temos que viver coisas para aprender outras.
    é muito interessante essa idéia da alma ter essa ciência sobre sua missão e não a idéia de ter de descobri-la aqui, seria como saber em essência, saber que tem algo dentro de si a fazer, mas tendo ainda que desenvolver encontrar os detalhes, não é?
    As vezes acho que eu poderia fazer mais, que tem algo errado, como se algo dentro de mim falasse mas eu ainda não entendesse direito.

    Sim, sobre o livre arbítrio concordo, Deus é supremo sobre nós mas nos deu a oportunidade de escolha.

    Sim também acredito que o sentimento continua após a morte, a nossa memória tem que ser preservada senão o que adiantaria aprender? ou então como se corrigiriam os erros?

    Não acredito que iremos retornar a terra e sim que teremos outra vida eterna, mas também não acredito que certas coisas são coincidências, porque acontece comigo com muita frequência, tipo, no dia que conheci meu marido eu ja sabia que nesse dia eu ia conhecê-lo, e sobre dejá vu tenho a toda hora, é uma nítida certeza de que aquele fato já aconteceu.

    Agora sobre a pergunta, eu não acredito em absolutos, e sim que Deus a detém e mantém.


    Muito bom amiga, estava com saudades

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  4. Max, como físico, acredito em energia. O que nós dá a vida, nossa consciência, é uma espécie de energia vital. De acordo com a Física, a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada de uma forma em outra, assim, quando morremos, nossa energia vital consegue atravessar dimensões e voltar ocasionalmente para a nossa dimensão, onde ela só pode ficar se habitar um corpo físico.
    Como a energia se degrada durante uma transformação, nossa energia vital acaba não se lembrando dos aspectos de uma vida anterior.
    Loucura minha teoria, não?

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  5. Oi Carla,

    Tudo bem, não é a minha intenção converter quem quer que seja! :)

    Mesmo assim, obrigada por teres passado por aqui :D!

    Beijos

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  6. Olá Arms!!

    "Não me lembro bem dos pormenores - li o texto há algum tempo - mas achei curioso. E é curioso a noção de que nós apenas temos, na prática, uma licença de uso temporário da nossa alma." - é verdade. Quando paramos para pensar que tal coisa possa, de facto, ser verdade torna-se tudo mais assustador. Por isso, eu compreendo perfeitamente que se tenha escolhido (e aqui refiro-me às religiões) não aprofundar o estudo da alma, da sua origem (é mais fácil dizer que Deus criou e pronto...contudo as questões permanecem: por que é que criou? Para que fim? É nossa ou é dele? Porque estamos aqui? Para onde vamos? etc)...mas eu prefiro procurar saber.

    "Mais uma vez - apesar de raramente comentar - foi um prazer enorme ler-te. Gosto de textos que me fazem pensar..." - Arms, foi um prazer ler o teu comentário, faz-me sempre pensar também :D! E não interessa as vezes que comentas, eu sei que vens aqui com regularidade :D!

    "Parabéns." - muito obrigada :D!

    E Obrigadão pelo teu contributo!!

    Beijos

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  7. Oi Adriana :D!

    "Também acredito que algumas coisas que acontencem na nossa vida não são por acaso, apesar de não acreditar em reencarnação, acretido que não viemos aqui a toa, temos algo a fazer, temos que viver coisas para aprender outras." - nem toda a gente tem de acreditar na reencarnação (tal como eu disse no artigo - é um processo natural, resultado das memórias apagadas). Mas gosto da maneira como vês a vida...:).

    "é muito interessante essa idéia da alma ter essa ciência sobre sua missão e não a idéia de ter de descobri-la aqui, seria como saber em essência, saber que tem algo dentro de si a fazer, mas tendo ainda que desenvolver encontrar os detalhes, não é?" - é exactamente isso desenvolver o encontrar os detalhes (isto fez-me lembrar a nossa conversa sobre meditação, lá no teu blog, que é um dos instrumentos de desenvolvimento e, que muitas vezes nos levam a "descobrir" esses mesmos detalhes).

    "As vezes acho que eu poderia fazer mais, que tem algo errado, como se algo dentro de mim falasse mas eu ainda não entendesse direito." - é, é aquela vozinha que fala dentro de nós...a questão é: por que é que ela fala? Donde ela vem? É a memória, mas para haver memória tem de ter havido algo antes...

    "Sim também acredito que o sentimento continua após a morte, a nossa memória tem que ser preservada senão o que adiantaria aprender? ou então como se corrigiriam os erros?" - exacto!!

    "Não acredito que iremos retornar a terra e sim que teremos outra vida eterna, mas também não acredito que certas coisas são coincidências, porque acontece comigo com muita frequência, tipo, no dia que conheci meu marido eu ja sabia que nesse dia eu ia conhecê-lo, e sobre dejá vu tenho a toda hora, é uma nítida certeza de que aquele fato já aconteceu." - a vida eterna é uma doutrina Cristã, por isso compreendo-te. Também não acredito em coincidências. Não me digas!!! Isso é tão interessante...e como explicas esse dejá vu?

    "Agora sobre a pergunta, eu não acredito em absolutos, e sim que Deus a detém e mantém." - é mais um ponto de vista ultra interessante, obrigada (vou pensar nisto) :D!!

    "Muito bom amiga, estava com saudades" - obrigada, linda...eu também :D!

    Adriana, obrigadão por este comentário super super...fez-me pensar! E obrigada por teres partilhado uma história pessoal :)!

    Beijos

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  8. Gato Cid!!! Oi :D,

    "como físico, acredito em energia. O que nós dá a vida, nossa consciência, é uma espécie de energia vital." - poderemos chamá-Lo de energia vital, sim...

    "De acordo com a Física, a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada de uma forma em outra, assim, quando morremos, nossa energia vital consegue atravessar dimensões e voltar ocasionalmente para a nossa dimensão, onde ela só pode ficar se habitar um corpo físico." - bem, respeito a Física...mas segundo ela: donde veio a energia? Qual a sua origem? Quanto ao resto da explicação, eu diria que está muito próxima da teoria da reencarnação... ;)

    "Como a energia se degrada durante uma transformação, nossa energia vital acaba não se lembrando dos aspectos de uma vida anterior.
    Loucura minha teoria, não?" - não, não acho que seja loucura...para dizer a verdade, achei esta explicação o máximo! É uma outra maneira de explicar as coisas...

    Cidão, gosto como falas de Física, deves ser um óptimo professor, pá!! :D
    Obrigada pelo teu contributo, amei e aprendi!!

    Beijos

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